abril 22, 2004O vómitoA ansiedade, os reveses, a frustração, revolviam-me as entranhas. Sentia uma imensa bola de fogo devorar-me por dentro. O estômago parecia estar no centro de mim, no núcleo dos meus nervos. Passou a ser o fiel da minha balança... um fiel desafinado numa balança com medidas oscilantes. Tão depressa ficava cheia como vazia. Ou ingeria desalmadamente, ou jejuava. Deixei de aguentar o menor elemento no estômago, aprendi a seleccionar, a expurgar e a "purgar-me". Escrevi então, em idos de 1999: «Pulsa, Os nervos à flor da pele, Encontrei alguma sintonia em líricas de conteúdos perturbantes. Ouvi-as ad nauseam. Cultuei-as, embora na época não tivesse chegado a saber a autoria. A que mais me marcou foi, sem dúvida, Holy, de Nicole Blackman, integrada no álbum «Dead Inside», dos Golden Palominos:*
I am slimmer than you are Food doesn't tempt me anymore I could feel the slow drips of pain before, I threw out hundreds of things that When I knew what I had to do I can finally control my life and even death This is my greatest performance I scratch words on the walls now Everything that comes out of me is sacred Starvation is sacred and I My family doesn't call anymore. And that's okay. When they find me, I'll have a little smile on my face I feel so holy and clean when I stretch Every day I get a little closer to vanishing. One day when I am thin enough * [agradeço ao #Anónimo# pela referência]
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Descobri suas crónicas faz pouco tempo e realmente você sabe expressar esses turbulentos sentimentos como poucos o fariam e tem a energia necessária para isso. Cada vez mais gosto mais desta musica. É depressiva, sem dúvida, mas é harmoniosa... Desde que não nos arraste acho-a terapêutica - até mais a sonoridade do que a letra. A depressão é uma resposta ainda saudável do corpo e mente, um sinal de que a vida não está a ir bem e que é necessário tomar medidas. E é aqui que, por norma, o sistema falha, não permitindo, eventualmente, aprender a gerir aquilo que não estava bem. Partilhado por: Carlos Martins em julho 9, 2004 06:59 PMTal como a Gata, nunca consegui escrever nada, enquanto passei pelas minhas duas depressões. Nem escrever, nem ler! ;) Quanto ao peso, ele não oscilava: teimava em manter-se na média dos 38kg/40 kg. Agora sim, estou a recuperar e a ter um peso que nunca tive antes: 53kg.;) bjs Partilhado por: catarina em abril 30, 2004 12:33 AMConfuso...mas perceptivel. Partilhado por: Paulo em abril 27, 2004 01:00 PMEstava a ler e a reparar o quanto estas experiências nos levam a provar os extremos… o querermo-nos libertar da pele e chegarmos à essência, parte de uma necessidade profunda de significado. Muitas vidas carecem de significado, mas o transtorno emocional que reveste a depressão não permite que a questão seja objectivada e mentalizada de forma sã. Assim, na depressão esse alcançar da libertação do sofrimento é visto de um modo absoluto, quando em saúde seria visto de um modo mais prático, mais “realista”. Isto dito por alguém que acredita na iluminação e na libertação do sofrimento, mas sempre de um modo não auto-destrutivo. Sobre a menção que fazes ao estômago, posso dizer que pela via esotérica, em significado, o estômago está ligado ao controlo. Ao controlo que temos sobre as coisas, sobre o mundo. Logo a primeira coisa que nos dói quando a realidade nos foge debaixo dos pés é o estômago, perturbando a digestão e provocando algum pavloviano evitar dos alimentos menos leves (embora mentalmente esse evitar seja provavelmente adornado das mais poéticas adequações situacionais). Espreitei no Google… A música chama-se Holy, é dos The Golden Palominos e está no Álbum Dead Inside. Também não fazia ideia do que era isto... Partilhado por: #Anónimo# em abril 27, 2004 11:37 AMeu emagreci um pouco mas foi porque não tinha a gula que normalmente tenho. julgo que foi também efeito do antidepressivo. o meu problema do estômago era mais o nervoso miudinho que sentia nele... |
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