junho 28, 2004Assimetrias e antítesesRelançada na objectividade do real, confrontava a memória do ser passado com a condição do ser presente e constatava a transformação sofrida no desacordo entre as referências arquivadas na memória e as apreensões do momento. A metamorfose da Crisálida estava completa e o novo ser procurava o ajustamento da forma ao desajustamento do sentir, à inconformidade dos modos, ao inconformismo revelado nas reacções, à hibridez eclética da sua vontade, ao dualismo da sua essência... Ensaiava os contornos da sua imagem no papel ou na tela exprimindo as antíteses interinas, simultaneamente como mulher e homem, como hermafrodita e andrógino...
Cátia Mourão, Auto-Retrato no Masculino
Cátia Mourão, Simbiose Transsexual Sentada na cadeira de um barbeiro de bairro suburbano, pedi que me cortassem o cabelo do lado esquerdo, mantendo o comprimento do lado oposto. - Desculpa mas não percebo como queres - respondeu-me o barbeiro. Molhou-me o cabelo e começou a cortá-lo com uma lâmina de barbear. Concentrei-me no som do corte raspado, rápido, rente e vi as madeixas caírem sobre o meu colo e no chão.
Cátia Mourão, Auto-Retrato com cabelo assimétrico ... Partilhas
{ ... mudar mudar é criar, é dispor de outro modo © biquinha beijos* ... } Esta crónica é exemplo da serenidade com que se reflecte sobre uma questão que muitos nem sequer aceitam que seja discutida. Aquele "Eu" é uma das expressões mais humanas e sinceras que tenho lido. Não há uma maneira certa de viver a vida, por isso é que é tão díficil. Há quem opte por se questionar constantemente e há quem opte por simplesmente ignorar tudo e fazer o que lhe dá na cabeça. Aqui a identidade não deve ser vista como algo estático e imutável, como se fosse uma armadura para a personalidade, mas como algo em constante desenvolvimento. Partilhado por: Carlos Martins em setembro 30, 2004 04:47 PM |
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