|  Translation  |

julho 02, 2004

«Reflexões»

Foi sobre a assimetria das antíteses que fiz algumas «Reflexões» e, com elas, voltei a "partilhar-me" com os Outros.



...

Na Agenda Cultural vinha anunciado:

Cátia Mourão

Exposição de Pintura e Desenho

Reflexões

18 a 31 de Dezembro - 2000

Átrio da Delegação do Instituto Português da Juventude

«Reflexões é uma viagem ao íntimo da pintora, um exercício de introspecção e a materialização na pintura e no desenho de um microcosmos autobiográfico que testemunha um longo período de conturbações interiores, marcado por um sentimento de angústia latente.»

...

A Partilha

Cátia Mourão, A Partilha

...

Hoje tenho a sensação de que o termo "partilha" não é o mais adequado para descrever a forma como me apresentei e representei no evento. A excêntrica assimetria do corte de cabelo, o excessivo brilho do gloss com que carreguei o rosto, a evidência da magreza no aperto da roupa... as telas literalmente expostas contra um muro de placards, ordeiramente sequenciadas como se prontas estivessem a serem baleadas de rajada mas sem vacilarem - pelo contrário, mantendo a firmeza de uma causa.

Lembro claramente as expressões de quem foi à inauguração. Era angústia que viam e angústia que sentiam e mostravam.

Agora tenho a certeza de que não me partilhei com ninguém... Na verdade violentei todos quantos me viram e reviram, sem contudo me reconhecerem. Esforçaram-se por transmitir palavras de agrado mas o semblante traía-os. Alguns chegaram mesmo a escrever:

«Gostei, sobretudo porque me fica a esperança de que, depois da escuridão profunda onde mergulhaste, venha a surgir a luz de novo na tua vida.»

(Maria Hélder Valério)

«(...) é uma exaltação do lado sobrevivente do que em ti cria, pois se o criador dentro de ti é inflexível e determinado pela obra, o ser humano que o suporta é frágil como todos os mortais! Hoje não apelo ao criador, esse monstro obstinado, mas à criatura que sobrevive a tudo isso.»

(Domingos Miguel Soares)

«Para mim tu és e serás sempre a eterna fénix renascida das cinzas para um novo dia, para um renascer não como artista - porque essa está bem viva - mas como ser humano frágil e belo que és. Aguardarei o tempo que for preciso por ti, minha amiga. Aguardarei ansiosa... Tens de resgatar o teu direito à VIDA... no mais profundo dos mares do teu ser.»

(Madalena Bobone)

«Quando deres de caras com a morte, faz-me um favor: dá-lhe um par de estalos da minha parte e diz-lhe que ainda não dançaste o suficiente!»

(Pedro Almeida Gonçalves)

«Esta tua exposição intitulada Reflexões é, sem dúvida, uma mensagem desnudada do teu ser, sem as roupas da aparência, sofrida e interiorizada. Mas será que a podemos intitular de libertadora? Penso que não. Retratas nela os próprios dualismos, a dor e sementes de um passado que pode estar longínquo ou de um passado ainda presente. Libertação é construir caminhos de futuro, sem réstias de passado, onde o teu ser se exprima na simbiose perfeita da tua forte criatividade interna com o advento de mundos sem dor e sofrimento. (...) Uma simples Reflexão de um pintor que gosta de ti e está ciente do teu real valor. Continua com essa força.»

(António Sem)

Escrito por Cátia Mourão | Correspondente à Fase 4- Recuperação
Partilhas

{ ... não vou eu falar de palavras que lavras mas sim de tintas que pintas [belos quadros me dás a ver, encanto que gosto] © in[culto] ... }{ beijos* }

Partilhado por: © in[culto] em janeiro 7, 2005 11:49 PM

Gostei muito desta reflexão. Podemos refletir a respeito de certas coisas; podemos obter informações, selecionar ou rejeitar algumas e chegar a certas conclusões; das conclusões podemos deduzir certas teorias. Isso pode esclarecer muitos pontos e resultar na lucidez do pensamento e da expressão.

Partilhado por: Carlos Martins em outubro 11, 2004 05:06 PM

Faço minhas as palavras da Madalena Bobone =)

Partilhado por: gata em setembro 20, 2004 01:46 PM

A verdade é que visitei muitas vezes o teu blog sem deixar um único comentário público simplesmente porque o facto de termos, felizmente, um relacionamento próximo o dispensava. Ou assim pensava.
Mas a verdade é que é justo que não fique guardado apenas na nossa intimidade o quanto me ajudaste.
Quando o li pela primeira vez senti um arrepio por me tornar tão presente na memória um dia em que também eu, com o coração tão apertado que doía e sem saber o que fazer, te chamei à Bibioteca Nacional, e tu vieste a correr da Torre do Tombo para falarmos, nem sei por quanto tempo, dos nossos percursos e angústias. E depois, quando te foste embora, não me sentia mais feliz, mas sentia-me mais compreendida e acompanhada e nada virada para tomar decissões erradas. Por isso (e por muito mais), junto à amizade que há muito sentia por ti uma profunda gratidão e admiração. Este blog pode não ser cor-de-rosa, mas a vida nem sempre tem essa cor, e é importante encararmos a realidade com coragem e percebermos que não somos os únicos a passar por dificuldades e que não estamos sózinhos. Acredito que estejas a ajudar muita gente!

Partilhado por: Ana Morato da Costa em julho 28, 2004 09:15 AM

gosto do teu trabalho. é fruto da dor, mas gosto. parabéns pelo talento e um beijinho grande.

ps: como estás? (responde por mail...)

Partilhado por: gata em julho 14, 2004 09:28 PM

As palavras que considero mais importantes deste texto são partilha e reflexão.
Ao partilhares passando à tela, as impressões da viagem ao teu íntimo, repartiste a tua arte e a tua criatividade com quem viu os teus quadros como que mostrando fotografias dessa viagem, onde imprimiste as tuas sensações com o cunho da tua arte e da tua criatividade. Afinal não é função do artista provocar reacções seja de que maneira for? Naquela exposição, tal como neste blog, já estavas com a preocupação - mesmo que fosse no inconsciente - de alertar as pessoas para uma situação que tu estavas a experimentar de forma tão dolorosa. Este blog vem confirmar o altruismo e a entrega, mesmo com sacrifícios, a uma missão tão elevada, de uma beleza rara e que demonstra como o teu coração está cheio de bondade e de vontade de ajudar.
A reflexão é o acto de reflectir-se; é também mudança de sentido na mesma direcção; e é ainda ponderação. Poderei dizer que ao te reflectires ponderaste fazer uma mudança na mesma direcção?
Que a reflexão seja também no sentido de ponderares o quanto ainda tens para dar.

Partilhado por: mogrom em julho 4, 2004 09:35 PM

Este espaço atingiu o limite de comentários directos aos textos mas pode ler mais no
Livro de Partilhas