setembro 07, 2004LuzA minha luz nasceu a 3 de Março de 2001 no quintal de uma velha casa em Alcântara. Esperei por ela talvez 7 anos - desde que morreu o meu cão, penso - mas o desgosto foi tão profundo que não imaginei voltar a querer uma companhia à qual me afeiçoasse do mesmo modo. Errei, claro, pois não precisei de muito tempo para ser seduzida por uma gata de rua extraordinária. No lugar onde eu vivia, cada um pensava ser seu único dono, tal era a forma pronta como respondia a qualquer nome pelo qual a chamassem. Comia em casa de todos e a todos dava provas de que merecia. Ao meu pai fê-lo mostrando os dotes de caçadora, oferecendo-lhe uma enorme ratazana numa noite de Verão. À minha mãe - sempre mais renitente - veio apelar à maternidade, apresentando as crias que havia parido dois dias antes e trazendo-as, uma a uma, para o nosso quintal. Por lá foi ficando até que um dia desapareceu sem deixar rasto. Voltei a sentir o vazio anterior. Quando me afundei na depressão lembrei-me muitas vezes daquela gata e de como me senti alegre quando ela fez parte dos meus dias. Desejei outra e falei sobre o assunto com os meus pais que acharam pouco própria a altura para eu assumir responsabilidades sobre uma vida alheia quando pouco cuidava da minha. Andei um ano com a ideia e pensei que se tinha procurado a responsabilidade e a rotina num emprego, também seria natural que as procurasse numa vida. Tinha meios para sustentá-la e precisava dela para me apegar à minha. Assumi o compromisso de Vida quando adoptei uma gatinha de mês e meio, magra e doente como eu, a precisar de mim como eu dela. Quando peguei nela ao colo, agarrou-se-me com tal força que gritava a cada tentativa minha para afastá-la. Trouxe-a assim mesmo, agarrada à camisola, percebendo que não tinha sido eu a escolhê-la, mas exactamente o contrário. Levei-a para casa, determinada a curá-la e disposta a enfrentar a vontade contrária dos pais. Tinha encontrado nela uma razão, uma força, uma luz, a albedo. Podia ter-lhe dado o nome Luz, mas chamei-lhe Anaïs, homenageando assim a minha escritora preferida na época - Anaïs Nin. A Anaïs acabou por ser aceite e com ela tiraram-me a primeira fotografia onde voltei a sorrir, algo que não fazia há muito. Ainda hoje, sempre que chego a casa, vejo-a correr para mim como uma luz vinda do fundo do corredor, lembrando-me que tenho pelo menos uma razão para não ceder à angústia.
Cátia Mourão, Luz Partilhas
Foi muito bom ler esta mensagem. Eu descobri que também ganhei uma cachorrinha que mudou meu humor trazendo a alegria do contato e satisfação de estar sempre comigo. Sua companhia e atenção me alegra. Meu esposo até disse: «A Branquinha foi a melhor coisa que aconteceu pra você.» Ela traz a agilidade a alegria de estarmos juntas. Ainda estou fazendo o caminho de volta para a luz, mas agora tenho a certeza que não estou sozinha nessa. Todos nós passamos por dificuldade e perdas, mas com Deus e amigos vamos vencer. Tchau. Partilhado por: rosana em março 13, 2005 02:47 PM{ ... a luz será [é] sempre aquela que nos ilumina [ou seu brilho nos aclara o espírito [mimo]] © in[culto] ... }{ beijos* } Partilhado por: © in[culto] em janeiro 7, 2005 11:38 PMCada vez mais me identifico com as tuas histórias de vida! ;) Eu não fui procurar uma companhia.... a minha cadela Camilla veio ao meu encontro, dentro de casa, no momento em que mais precisava de me dedicar a outro ser que não eu! ;) beijocas Partilhado por: Catarina em setembro 15, 2004 11:50 PMA olhar, a olhar, a olhar... Não, não fiquei a olhar, estive a reler a maior parte do teu blog. Escreves bem como tudo! Tenho passado por aqui para saber como é que vai a tua relação, para ter notícias. Identifico-me com tanto do que escreves. Beijinhos Partilhado por: josesocrates em setembro 14, 2004 02:33 AMEntão, não escreves? Vem aqui uma pessoa a altas horas da noite ver se lê qualquer coisa de jeito e nada. Podia bem estar a dormir mas não. Se calhar fico aqui à espera. É isso fico a olhar até aparecer um post. Vê lá, agora estou dependente de ti. Partilhado por: josesocrates em setembro 14, 2004 02:09 AMOs teus textos são estranhamente acolhedores ou envolventes, não sei. Este não é excepção. Estou contente por ti e por teres sorrido. É tão difícil ter vontade de o fazer a maior parte do tempo... Obrigado pela tua visita. Vou ver se apareço com mais frequência. Também já não afixo nada há alguns dias, pois não me tem apetecido escrever. Bjs. Partilhado por: josesocrates em setembro 11, 2004 06:57 PMlindo,... a fotografia está tão fascinante!!! Olá, Que lindo amiga! Valeu a pena esperar! Testemunho lindo e sentido!!! Embora tenhas mais gatinhos especiais, a Anaïs vai ser sempre a tua menina... Que homenagem! Fico muito feliz com estas palavras de conforto, muito mesmo. Será um exemplo para todos aqueles que querem ajudar e ajudar-se e não sabem como. Parabéns! |
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