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setembro 30, 2004

O Elo

Há filmes e personagens que marcam, tornando-se referências mais ou menos duradouras. Do África Minha e de Denys George Fintch-Hatton guardo essencialmente duas frases que encerram dois sentidos cabalmente assimilados desde a primeira das 7 vezes que o vi:

«We are not owners here. We're just passing through» e «I won't love you more because of a piece of paper».

Denys George Finch-Hatton, in Out of Africa



...

Karen: ...I just thought we would do that someday...
Denys: How would a wedding change things?
Karen: I would have somebody of my own.
Denys: No you wouldn't.
Karen: What's wrong with marriage anyway?...
Denys: Karen, I'm with you because I choose to be with you... I don't want to live someone else's idea of how to live. Don't ask me to do that. You have a choice. And you're not willing to do the same for me. I won't be closer to you, I won't love you more because of a piece of paper...
Karen: Why is your freedom more important than mine?
Denys: It isn't and I've never interfered with your freedom...
Karen: My God in the world that you would make there'd be no love at all.
Denys: Or the best kind. The kind we wouldn't have to prove... Are we assuming there's only one way to do this?...

excerto de diálogo entre Denys George Finch-Hatton e Karen Blixen-Finecke, retirado do filme Out of Africa,
baseado no romance auto-biográfico de Karen, publicado sob pseudónimo Isak Dinesen.

...

Por vezes invertem-se os papéis. Por sistema teimo em invertê-los. Sempre me identifiquei mais com o lado de lá do que com este. Há em mim uma espécie de rebeldia e inconformismo crónicos. Neste assunto não houve excepção à minha regra, ainda assim acabei por reconsiderar o pressuposto. Fazia sentido. As circunstâncias, a pessoa em causa, os sentimentos, as sensações, toda uma conjuntura que dava um sentido até aí inexistente.

Primavera, o primeiro dia de regeneração, um ambiente intimista, uma celebração particular, reservada ao número sete, despida de aparato, liberta de trivialidades e redundâncias. Branco apenas porque é luminoso. Preto apenas porque contrasta. Em lugar do vestido de Branca de Neve, um fato de corte direito e minimalista. Flores apenas por ser Primavera. Sorriso apenas porque estava feliz. Dia de semana porque não era necessário ajustar datas a quaisquer disponibilidades alheias.

O conceito de Partilha tornou-se realidade concreta e quotidiana, arejando os sedimentos calcários da existência una, quebrando a cristalização dos hábitos solitários, dissolvendo limites territoriais com a comunhão do mesmo Espaço, transformando o capricho "meu" na vontade "nossa", convertendo as terminações singulares dos monólogos em diálogos de sentidos latos e plurais.
Foi necessário reaprender conceitos e rever posições, ainda assim houve a inegável compensação do companheirismo, do apoio, do entendimento e até da aceitação do que não se entende. As Partilhas quotidianas passaram a estar ligadas por um Elo que fortalecia a estrutura de apoio à reconstrução gradual de uma complexa, sinuosa e labiríntica arquitectura de emoções.

Partilhas quotidianas

Cátia Mourão, Partilhas quotidianas

Escrito por Cátia Mourão | Correspondente à Fase 4- Recuperação
Partilhas

São magnificas as palavras com que expressas tudo o que sentes! Aquilo de que falas e a maneira como o exprimes faz-nos pensar duas vezes antes de qualquer coisa. Nunca deixes de ser aquilo que alcançaste e nunca desistas.
Um profundo e sincero agradecimento a alguém tão maravilhoso e tão sincero!

Partilhado por: Vilma em fevereiro 18, 2005 02:19 AM

{ ... se o mundo não fosse redondo, seguramente não seria um paralelogramo rectangular de lados iguais mas sim, diz-se do triângulo com um ângulo recto ou do trapézio com dois © exactu ... }{ beijos* }

Partilhado por: exactu em janeiro 6, 2005 04:30 PM

foi há muito tempo que vi o filme, é obrigatorio revê-lo.

Partilhado por: AF em outubro 29, 2004 01:07 AM

Passei para agradecer os comentários que me deixaste. Gostei especialmente da tua interpretação sobre a fotografia Last exit for the lost.
Gostei também muito deste teu espaço e das crónicas que li. Vou voltar com mais tempo para ler as restantes. :)

Partilhado por: Twilight em outubro 20, 2004 09:56 PM

O corrupto foi-se mas vou continuar a ler-te. Beijinhos.

ps: a festa foi muito gira.

Partilhado por: corrupto em outubro 12, 2004 11:37 AM

Apesar de muitas vezes em silêncio (contrastando com o meu ser! eheheh), quero que saibas que estou sempre por aqui! ;) beijo grande

Partilhado por: catarina em outubro 2, 2004 12:29 AM

Senti a intensidade e a força deste texto e da imagem.
Bjs

Partilhado por: Carlos Martins em setembro 30, 2004 08:09 PM

... e estavas linda, com o sorriso a iluminar-te o rosto... =)

Partilhado por: gata em setembro 30, 2004 07:05 PM

Tenho passado por aqui e tenho tido a satisfação de ver novos textos com frequência. Já não me devia admirar com a forma como escreves, mas não consigo. Que bem que o fazes!
Quanto a esse primeiro dia de Primavera ainda não te desculpo por só tão tarde ter sabido dele!
Beijinhos.

Partilhado por: Ana M. C. em setembro 30, 2004 06:51 PM

Este espaço atingiu o limite de comentários directos aos textos mas pode ler mais no
Livro de Partilhas