Quando as feridas da alma começaram a sarar, deixando cicatrizes que apenas latejavam em memória na mudança das estações, troquei as urgências psiquiátricas pelas sessões de psicoterapia.

Cátia Mourão, Chi-Ankh (Matisse, Anaïs e Ankh)
Ao fim de 7 anos de Depressão manifestada, 3 dos quais em fase profunda, finalmente atingi um nível de felicidade algo kitsch (penso ser inevitável) mas com suficiente encanto para rir a propósito de certos despropósitos… ou até para relevar certas leviandades como a acusação de que o depressivo se sente confortável com a situação de doente e prefere tomar medicação do que apelar à sua força de vontade para vencer as “pequenas contrariedades que todos temos”. Há 2 anos atrás eu reagia a estas considerações com explosões de cólera que não conseguia conter, mas hoje, mais estável que estou, entendo que possivelmente também as faria se não tivesse vivido uma Depressão. O conhecimento que a experiência me deu trouxe-me a consciência do dever de esclarecimento, demonstrando que a Depressão é um “cancro na alma” que, tal como os cancros no corpo, tem de ser diagnosticado a tempo (aos primeiros sinais de instabilidade emocional) e devidamente tratado – numa primeira fase com químicos prescritos pelo psiquiatra e depois com análise orientada pelo psicoterapeuta.
Um ano após ter iniciado o projecto Sombra no Silêncio, com 24 Crónicas de uma Depressão escritas no pretérito, termino-o com a 25ª Crónica redigida no tempo presente e com um conteúdo que, acredito, continuará futuro. Não apenas para mim, mas também para todos aqueles que sofreram ou sofrem ainda de Depressão.
Agora apercebo-me de que quando falta a auto-estima normalmente pensa-se em esconder, fugir, trocar de identidade ou transmutar para outra essência – algo fácil, cosmético, com resultados imediatos –, pois não se está ainda em condições de operar o reajuste interior e dar novamente forma ao magma informe e incandescente em que o ego se encontra. Quando chega a altura certa, o processo de viragem dá-se naturalmente, quase sem se dar por ele. Dá-se também a descoberta de que, afinal, não SOMOS errados mas apenas tivemos um período em que ESTIVEMOS menos certos... e conclui-se que, felizmente, o “cancro na alma” tem cura.
Faço um especial agradecimento a quem me acompanhou durante estas Crónicas,
partilhando palavras (por ordem de partilha):
Tatiana Peres (extinto Free your Mind)
Mogrom
Matilde
Carlos Martins
Gata (Paula)
João Norte (extinto Intro.Vertido)
Paulo
Catarina
Maria
#Anónimo#
Ana Costa
Margarida
Joel (extinto NeverLess)
Twilight (extinto The Bloglight Zone)
Gonçalo Trafaria
Corrupto
Zé Gato
AdamastoR
Poeta Noctívago
Espectro #999
Cláudia
Silsmaria
Claire Lunar
Su
João da Cal
Kurtz
Biquinha
Sandra
Concha
Rosa Pomar
Outra
Marco
Vilma
em silêncio (os identificados):
Nuno Peixoto Branco, ou D. Quixote
Kooka
brUno amaral (extinto O Admirador Secreto)
Outro
Luís Rijo (extinto Estátua)
Carrie e Borboleta, ou Carrie e Kinder
Jumbo (extinto Avioneta Malabarista)
Jorge
Rakel
ou na sombra (os não identificados de quem nunca cheguei a saber os nomes)...